Á Margem Esquerda do Guadiana associamos os concelhos de Moura , Barrancos, Serpa e Mértola.

Comecemos o passeio pela cidade de Moura , como o seu nome indica, o seu imaginário está relacionado com o passado árabe, tem uma mouraria, um antigo poço árabe um castelo e a lenda da moura Salúquia, mas a cidade tem mais para nos mostrar, do período cristão dispõe de belissimas igrejas com as portas abertas, a igreja de S.João Batista com o seu magnifíco portal Manuelino. Mas a Moura também associamos a produção de azeite e para contar a história do azeite na região sugerimos uma visita ao museu do lagar de varas. De Moura seguimos para Barrancos mas passamos  por Safara onde a tradição artesanal não se perdeu e a arte de fazer cadeiras em buínho, cestos e sapatos perdura, continuamos e descobrimos Santo Aleixo da Restauração, como o próprio nome indica foi povoação que resistiu à dominação espanhola, próximo está a herdade da negrita onde se encontra uma anta em bom estado de conservação.

 Mas o objectivo é chegarmos a Barrancos que ultimamente se tornou famosa por manter viva velhas tradições como a de matar o Touro durante as festas de Agosto, ou fazer perdurar a tradição do madeiro de Natal. Mas da história de Barrancos há mais para contar, próximo encontra-se o fantástico castelo de Noudar, antigo povoado fortificado, do qual hoje só sobrevivem as muralhas e uma igreja reconstruída já nos anos 80. Barrancos orgulha-se destas suas especificidades, do seu dialecto, do seu artesanato, e  da fama do seu presunto e de outros enchidos feitos com porcos criados em montado.

Vamos agora para Serpa, aqui deparamos logo à chegada com o Museu etnográfico que nos leva a conhecer formas de fazer e oficios já em desaparição, dirigimo-nos depois para o castelo, no caminho visitamos a igreja de Santa Maria, que outrora foi mesquita, do castelo que nos relembra lutas antigas entre portugueses e castelhanos, vislumbramos todo o amuralhado que circunda a vila e  o imponente palácio do Conde de Ficalho, vislumbra-se ainda um dos ex-libis da vila, o aqueduto e a grande nora, construídos no século XVII para abastecer o palácio.

Mas a Serpa associamos ainda o famoso queijo que é produzido em toda esta região, e para os mais gulosos as magnificas queijadas.

Podemos estar um pouco atrasados, mas se estamos em Serpa há que dar um salto até ao museu do relógio, onde se encontra uma das melhores colecções de relógios da Península Ibérica.

Agora sim, deixamos Serpa e partimos em direcção a Mértola, sentimo-nos tentados a visitar o Pulo do Lobo, nem sempre há oportunidade para ver uma paisagem tão agreste, onde o grande rio do sul, quase sempre calmo, se manifesta com entusiasmo. Continuamos e passamos pela Mina de S. Domingos, paramos para descansar na aldeia quase adormecida com um grande lago, custa-nos a acreditar e imaginar que nos anos 60 esta ainda era uma mina em actividade, mas custa-nos ainda mais imaginar que no século XIX daqui partia minério para a Europa através do porto do Pomarão, que aqui se instalaram ingleses para explorar a mina como se de uma colónia se tratasse, se ficarmos mais um pouco podemos explorar o que ainda existe da antiga mina.

Enfim vamos finalmente para Mértola, a velha vila a beira do rio outrora último porto do rio Guadiana, onde a arqueologia tem posto a descoberto o seu passado romano, paleocristão, islâmico, aqui há muito a visitar, os vários núcleos museológicos* donde destacamos o recentemente inaugurado núcleo islâmico, a igreja, antiga mesquita, o castelo, ou as escavações do bairro islâmico. Descobrimos também o museu da Tecelagem, onde podemos encontrar as belas mantas alentejanas de produção artesanal, ou mesmo ver a sua produção.  Terminamos assim a nossa visita descemos ao Guadiana e descansamos nas azenhas, ouvindo o burburinho do rio saltando o açude.